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A Vida de Robervaldo

Robervaldo era uma criança feliz, saudável, dificilmente ficava doente. Estava sempre brincando e jogando bola, seu sonho era ser jogador de futebol para ganhar muito dinheiro, comprar uma mansão para seus pais e outra para ele, além de poder dirigir uma Ferrari e viajar pelo mundo fazendo o que gostava de fazer. Além disso, sendo jogador de futebol, Robervaldo não precisaria mais estudar, o que para ele, era um grande sacrifício, achava tudo chato demais!

 O tempo foi passando, e o sonho cada vez mais distante, seus pais o alertaram para voltar aos estudos enquanto jogava bola, mas como precisava viajar muito para os testes em vários clubes país afora, não tinha condições de acompanhar a turma, e também essa era a sua desculpa perfeita para não estudar. Robervaldo disse que se chegasse aos 20 anos sem contrato com nenhum clube, ele poderia seguir os passos de seu pai, que também sem muito estudo, conseguiu trabalhar na indústria do calçado e constituir família, apesar de seu pai alertar que eram outros tempos, Robervaldo seguiu o plano perfeito, ser jogador de futebol, ou trabalhar em uma fábrica de calçados e galgar cargos dentro da empresa até chegar a ser um grande funcionário de confiança, pois o serviço, aprende-se fazendo.

 Com 20 anos Robervaldo cumpriu sua promessa, frustrado por não conseguir ser jogador de futebol, foi procurar emprego na indústria calçadista. Sem o ensino fundamental completo, estava impossível arrumar um emprego. Depois de meses, seu pai, empregado desde os anos 1990 na fábrica de calçados Silva & Dias, conseguiu uma vaga para Robervaldo graças ao seu histórico de excelente profissional e grande dedicação.

 Décadas se passaram. Robervaldo, casado, três filhos, continua jogando bola nos fins de semana, sempre acompanhado de churrascos e muita cerveja. Seu único filho homem não nasceu para o futebol, suas filhas trabalham no bairro onde nasceram em lojas de confecções. Apesar das dificuldades, dos altos e baixos, é uma família feliz.

 Mais alguns anos se passaram, e o vovô Robervaldo já não joga mais bola, agora o seu único passatempo é curtir uma cervejinha com os amigos dos velhos tempos no bar do seu Rubens, na rua principal do bairro. Certo dia, enquanto estavam em uma mesa do bar, na calçada, tomando cerveja e conversando sobre futebol, alguns jovens com câmeras nas mãos se aproximaram e disseram que estavam fazendo um documentário sobre o sentido da vida, e perguntaram se era possível fazer algumas perguntas ao grupo de amigos. Após concordarem, Rafael, o jovem entrevistador, fez ao Robervaldo, as primeiras perguntas:

 -        Qual o sentido da vida para o senhor?

-        Não sei. Nunca pensei nisso – respondeu Robervaldo enquanto empinava mais um copo de cerveja.

-        Qual será o legado do senhor para o mundo? Todos nós iremos morrer um dia, quando chegar a sua hora Robervaldo, o que você vai deixar para quem fica?

-        Meus três filhos! Eles seguirão com a vida quando eu não existir mais...

-        O senhor tem alguma religião? Acredita na vida após a morte?

-        Sou católico. Acredito que deve haver algo no céu, mas não sei ao certo, quando chegar a hora vamos ver, não é mesmo?

-        Se o senhor é católico, sabe que segundo essa religião, após a morte é realizado um julgamento, ali será definido se o senhor vai para o céu, ou não... Como o senhor acha que será esse julgamento? Qual o balanço de sua vida?

-        Não sei, acho que fui uma boa pessoa, criei meus filhos da melhor forma que pude, tenho amigos. Sempre fui pobre, não consegui fazer as coisas que queria...

-        Do que se arrepende de ter feito, ou de não ter feito? Quais são as coisas que o senhor se referiu que queria ter feito e não fez?

-        Sempre quis ser jogador de futebol, fiz muitos testes, cheguei a ficar duas semanas jogando no Grêmio, mas não consegui me firmar. Teria sido tudo diferente, teria viajado o mundo, teria grana, meus filhos poderiam estar com outra vida, mas Deus não quis assim, e aqui estamos!

-        Seu Robervaldo, antes de encerrarmos, uma última coisa. Você poderia deixar uma mensagem aos jovens brasileiros?

-        Escutem seus pais! Eles querem o seu bem e têm mais vivência da vida. Estudem e façam algo para ajudar a população que tem menos condições.

 O que você achou da mensagem do Robervaldo aos jovens? Por que ele diz aos jovens para estudar e ajudar aos outros? Por que ele não fez isso? Por que ele pensou só nele mesmo? Robervaldo culpa o destino, e até Deus, pelo fato de ele ter sido pobre. Robervaldo se faz de vítima pois se considera da população com menos condições e por não ter recebido ajuda? Apesar da hipocrisia, ele falou uma verdade que muda tudo, ele disse “estudem”.

 A educação é a propulsão para o indivíduo evoluir e para a própria sociedade evoluir coletivamente. A Matemática está em todo o universo, e no nosso cotidiano. Aprender a própria língua faz parte do nosso desenvolvimento como pessoa dentro de um grupo, de uma comunidade, de um país, através da língua falada e escrita, vamos expressar o que passa em nossos pensamentos. Geografia é entender um pouco de como funciona a Natureza, assim como a Biologia, a Química e Física. História, Sociologia, Filosofia, falam do ser humano ao longo dos tempos, como nós enquanto espécie evoluímos, ou não, quanto indivíduos, quanto grupos, quanto irmãos de jornada.

 Apesar do jovem muitas vezes achar que certas matérias não servem para nada, eu pensava assim também na época, depois com a maturidade da fase adulta, ele verá que os pontos se unem, e muita coisa será útil, pelo menos para entendimento, para formar opinião, fará parte do repertório. Um velho ditado popular diz com verdade: “podem tirar tudo de mim, menos o meu conhecimento”.

 Sempre podemos aprender algo novo, sempre devemos nos motivar a fazer algo bom, não importa a nossa condição financeira e onde vivemos. Hoje em dia, basta ter uma ideia na cabeça e vontade de colocar essa ideia em prática. E o significado da vida? Qual o seu legado ao mundo? Para onde vamos depois da morte? Existe morte? Quem é você de verdade? Por que você está vivo nesse momento? Como você está usando o seu precioso tempo? Não ignore esses questionamentos como fez Robervaldo. Não ache, como Robervaldo, que esse milagre chamado “vida”, é uma corrida contra o tempo para enriquecer e acumular bens materiais. São poucos os que conseguem responder a essas perguntas, ou até mesmo ninguém, mas o simples fato de você buscar essas respostas, já vai abrir a sua mente e mudar você.

 Para fecharmos essa reflexão, há uma frase que resume bem esse pequeno texto, ela estava escrita na entrada do templo de Delfos, na Grécia Antiga: "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo."

Autor: Edson Luiz Pocahi


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Comentário de Ivete Cardoso Carvalho em 17 outubro 2016 às 2:37

Gratidão!

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