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Após as bênçãos da semeação, a terra aparece reverdecida, e surgem as searas luminosas com as bênçãos da flor e do fruto.
Superados os graves períodos de amanhar a terra, retirando-lhe calhaus, abrolhos e pedrouços, surge o momento feliz em que as sementes se multiplicam a cem por um, a mil por um, prenunciando abundância de grãos sobre a mesa da esperança.
Parece que, no verdor rico de projetos felizes, paira a grande paz. Todavia, a necessidade de defender a gleba, torna-se-nos muito maior, agora, do que antes.


O solo adusto e ingrato, deixado ao abandono, inspira repulsa e desprezo; mas o pomar, o jardim e a lavoura - nos quais predomina a abundância de bênçãos – a cupidez, o interesse malsão e a exploração da avidez vigiam, e, como ladrões impiedosos sentindo-se impossibilitados de furtar os grãos e apropriar-se da terra, ateiam incêndios criminosos com os quais se comprazem, acreditando-se vencedores.


As lutas recrudescem.
As facilidades são apenas aparentes.
O crescimento na horizontal da vida não significa implantação na vertical dos sentimentos.
Imperioso redobrar a vigilância.
Os bastiões da fé estremecem; abrem-se brechas que dão acessos a incursões malevolentes e perigosas.


A segurança de uma parede é a harmonia dos blocos que se justapõem. Retirado o primeiro, os próximos são inevitáveis.
As defecções de muitos companheiros comprometem o trabalho do Senhor. A instabilidade de corações afervorados faculta o desequilíbrio e as incursões negativas.
Hoje, como ontem, o cristão decidido não dispõe de tempo para o repouso
inútil ou para a colheita de glórias frívolas.
As forças em litígio predominam no país emocional de cada indivíduo. Enquanto não prevaleçam a paz, o equilíbrio, a ordem e o amor, no comando das ações, estaremos em conflitos e caminharemos em crise. O trabalho, disso decorrente, será frágil, susceptível de desmoronamento.


À medida que a seara cresce, aumenta o número daqueles que a detestam, de um como do outro plano da vida. Não facilitemos! Mantenhamo-nos em serenidade vigilante, conclamando-nos, uns aos outros, à observância dos compromissos firmados e à vigilância da oração.
Não há castelo inexpugnável, quando aqueles que ali residem torpedeiam-lhe as bases.
Não há defesas que se sobreponham a um cerco demorado, se faltam, no reduto sitiado, o equilíbrio e a ajuda recíproca.
O trabalho de Jesus progride em nossas mãos, mas, cuidemos para que, fracas, não venham a comprometer a realização interior.


Estes são dias muito graves. Acompanhamos a insensatez abraçada ao entusiasmo de fogo-fátuo, sem dimensão do futuro nem estruturas no presente. Nós outros, que já nos comprometemos ao largo dos séculos, e falhamos quase sem cessar, cuidemos para que o novo insucesso não nos assinale a marcha, quando estamos próximos do porto final.
Renovemos propósitos saudáveis, retiremos a borra do pessimismo e do desencanto, compreendendo que é nos dejetos que a vegetação se faz mais luxuriante e no charco o lótus esplende com mais alvura, como ocorre com o lírio que explode em perfume.


Façamos do cansaço, do desencanto e da rotina, o adubo forte da sementeira da esperança.
Iluminemo-nos de dentro para fora, a fim de que a luz não projete sombras.
Prossigamos, com ardor de ontem e a confiança no amanhã, vencendo, cada hora e todo o dia, com o mesmo idealismo de fé, sem deixar que as altercações do mal e as forças negativas tomem das nossas paisagens interiores manchando-as de sombras.


Jesus confia em nós, e, Seus amigos espirituais, contamos com o esforço de cada um e a decisão de todos.
A nossa, será uma vitória coletiva. A deserção de alguém será atraso na marcha de outros e a queda de alguns será insucesso em muitos.
Mãos dadas e corações unidos, olhos postos na Grande Luz, avancemos, joviais, estóicos e felizes.


Joanna de Ângelis

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