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ENQUANTO A NOVELA PASSA...

 

 

A novela que distrai

Também te trai...

E os cães continuam, todo santo dia, ladrando e a caravana passando,

Sem parar...

 

Olhos desatentos assistem todas as novelas na TV.

Olhos mais argutos tentam decifrar fraudes dos internautas criminosos.

Olhos que vêem a novela,

Enquanto as horas levantam vôo estratosférico,

Enquanto os preciosos segundos vitais se escoam,

Rapidamente em todos os relógios no tempo...

Que se esvai como que em ampulhetas de fatalidades...

Que fazem dos apartamentos cadeias horripilantes, cadeados de pensamentos...

E que deixam reticências ou espantos

Em tantos

Olhares humanos...

 

As novelas se sucedem, os homens se repetem,

E, quais crianças se embalam em scripts tão antigos,

Como conto-de-fadas de infindáveis guerras de diminutos egos...!

 

Quanto agora nas novelas televisivas,

Mentes amortizadas, corações tão compassivos

Cultivam o medo em cada esquina da cidade?

 

Em cada Alento que insiste em doar às Almas um pouco mais de Liberdade... mas já está na hora do próximo programa... da trama, da dor e do amor, das vacas que corriqueiramente vão para o brejo, salvas pelo superman.

A saudade é enorme. Mas a vida vai andando, passando,

Assobiando feliz a cantiga da vida...

Que nos oferece, dadivosa, a cada instante, miríades de oportunidades

Na riqueza oculta do cotidiano. Mas que está bem na frente de nossos olhos...

 

Enquanto a novela passa, ladrões do tempo de plantão, merchandisings absolutamente insensíveis, quase invisíveis te acorrentam quais camisas de fôrça eletrônicas, autômato-biônicas que sorriem ante a infelicidade alheia!

Que permeia espaços que poderiam ser tão mais úteis...

 

 

Escolhem milimetricamente, na televisão

Como prender ainda mais o incauto telespectador

E a dor

Do que não foi feito

Do que ficou para amanhã

Vem trazer o lenitivo dos “ai, se eu pudesse...”

Que de consolo não tem nada.

 

 

Enquanto a novela passa, meu coração pode disparar,

Em mil ritmos invisíveis, em cardiopulmonar emoção

Que a contramão dos comerciais e tanta violência embutida

Vão escurecendo, poluindo a visão...

E será que não estou comprando, pagando ilusão?

 

Enquanto a novela passa, crianças embirram

Famintos suplicam por um pedaço de pão

Mães desesperadas se escravizam pelo seu lar

E contas que não se vê como pagar

Vão para o arquivo do Deus-dará.

 

Os olhos de seu filho suplicam atenção

Mas hoje o capítulo é importante,

E o adolescente, chamado de “aborrecente”

Se aborrece ainda mais

Porque deixou os sapatos no chão.

 

Policiais rondam protegendo as rotinas

Que por trás das cortinas

De fumaças

Disfarçam

O coletivo-ilusionismo que brada por segurança...

 

E  essas crianças

Adormecerem por longas horas,

E passam a vida

Sonolentas, dormindo...

 

E  o calendário de suas vidas,

Feriadou hiatos de tempo

Que se perderam para o Amor

Que se perderam para a ternura

Que perderam para o teatro, a novela real da vida!

Que se perderam após a missa

E que se esqueceram do rapaz

Que amava Maria,

Que se perdeu no caminho

Exatamente dentro de seu ninho

Enquanto a novela passou...

Porque agora não dá mais tempo

A vida acabou! A Vida acabou!

A Flor murchou! A Novela acabou!

 

 

Ivanildo Falcão da Gama – (Vando)   

Caldas Novas (GO), 12 de janeiro de 2004.

emamoreluz@gmail.com    

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Comentário de Edson Luiz Pocahi em 25 setembro 2015 às 12:05

Obrigado Vando. Importante reflexão para cada um fazer na sua rotina. O que temos de mais escasso é o nosso tempo... 

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