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Meu amigo, meu irmão e meu amado, onde quer que você esteja eu o encontro, onde quer que você esteja, eu estou com você.
Nesses tempos da Terra que você vive, nesses tempos de sua consciência, a hora é para os reencontros, mais do que nunca, de modo inédito e intenso.
Atuam em você a Liberação, a Liberdade e a Paz.
Não veja em minhas palavras outra coisa que não o Silêncio que ritma sua Presença e sua Ausência.

Eu venho reencontrá-lo, voltar a dar-lhe o impulso e a sede da Liberdade que, a cada minuto, é saciada, na qual nada há a prever, nesse espaço em que nada há a esperar, apenas ser, em presença, com você.
Você se reencontra como eu o encontro; aí, onde você está eu estou, com você e em você.
Vá para onde não há mais espaço para a menor distância, nem para a menor separação.
Ouça isso, no silêncio de seu coração, em minhas palavras que fazem apenas passar, mas que depositam, em você, a densidade de sua Presença e de sua Ausência.
Em cada um de você a Liberdade é vivida; mesmo se você não a veja, mesmo se você não a viva, ela está aí, em abundância, à profusão.
Então, eu o convido a depositar não, unicamente, os fardos de seu efêmero, mas a colocar-se aí, onde nenhum problema pode vir agitar qualquer elemento de sua consciência.

Eu o convido a colocar-se na Graça; eu o convido a não mais parecer, a não mais jogar; eu o convido ao Silêncio e ao contentamento do que você é.
Eu me exprimo em você, como você se exprime em mim, no mesmo ritmo e no mesmo Silêncio.

Eu venho recobri-lo, se já não foi feito, com seu Manto de Eternidade, aí, onde a compaixão, aí, onde a cura alquimiza-se em você, a cada sopro.
Para isso, a Luz mostra-lhe, ainda e sempre, o que lhe resta a soltar e a depositar, para demonstrar-lhe que as resistências à Eternidade, doravante, são vãs e fúteis, elas fazem apenas tentar afastá-lo do que você é.
A cada dia, a cada noite, a cada olhar colocado em você como colocado em seu exterior, tudo é oportunidade, tudo é oportunidade, tudo é ocasião para reencontrar-se, inteiramente, em sua inteireza.

Coloque-se aí, onde nada há a espalhar, nada a defender, nada a discutir, nada a sopesar.
Aí, na borda de sua eternidade, você provará – a si mesmo – que nada há a provar, que nada há a pedir, que nada há a esperar.
No Fogo de seu coração, na clareza de sua consciência como de sua a-consciência, você está presente e eu estou aí.
Entre nós não há nem barreira nem identidade, nem diferença, há apenas a Evidência.
Essa Evidência você a conhece, mesmo se ainda não a tenha reconhecido.
Ela está aí, em abundância; ela está aí.
Então, minhas palavras são apenas o retransmissor desse espaço do Silêncio presente em seu coração, aí, onde nada vem desviá-lo do que é a Vida, não aquela da consciência, mas a vida na Eternidade, na qual mesmo a consciência representa uma particularidade.
Aí, onde os horrores do neant tornam-se a plenitude evidente do que você é.

Sente-se, sente-se em você, repouse em você.

Escute.
Escute e ouça o que se desenrola.
Nesse momento mesmo, no qual você está aí. Nesse momento mesmo, em que você me ouve, nesse momento mesmo em que você me lê, não há mais tempo, não há mais data e o espaço parece tão infinito que ele permanece Infinito, que ele permanece, unicamente, a ausência de forma, a ausência de tempo, a ausência de identidade.
Justamente, nessas ausências, nada pode faltar, nada pode desaparecer.
Aí, no Templo de sua eternidade, eu o envolvo com a Verdade Una dos filhos da lei de Um.
No contentamento e na Graça, encontrados nesse lugar que não é um, nesse corpo que faz apenas passar, em sua consciência limitada que faz apenas aparecer e desaparecer, você se tem aí, onde nada há a segurar e nada a preservar.
Sente-se, comigo e com você mesmo.

Nesse lugar – que não tem qualquer localização e qualquer espaço – tem-se o Tudo, que é apenas neant para o efêmero de seu corpo.

A Graça nutre você, a partir do instante em que você não se segura mais nem a você nem a compreender, nem a preservar o que quer que seja.
Nesse espaço sem tempo e nesse tempo sem espaço, há apenas a abundância, a abundância da Alegria, a abundância do Amor, que nenhuma medida pode conter, que nenhuma consciência pode medir, nem mesmo apreciar.
Aí, você se restitui a si mesmo, além de toda aparência, além de toda matéria e além, mesmo, de toda consciência.

Nesses tempos específicos da Terra, nos quais a liberação coletiva conclui-se, de maneira efetiva, em cada canto e recanto de toda consciência presente na superfície dessa Terra, você está pronto para dar-se?
Você está pronto para ser o Caminho, a Verdade e a Vida, não por instantes nem por momentos, mas de maneira definitiva?
Cabe a você ver, cabe a você perceber.

Eu lhe dou a Paz, na condição de que você se dê sua Paz, a si mesmo, mas a cada um também, da mesma igual intensidade, sem restrições, sem reserva e sem condições.

No Templo de seu coração, o sagrado é permanente.
Aí, onde você degusta os frutos de sua eternidade, não há espaço nem para o sofrimento nem para qualquer hesitação.

Onde quer que você esteja, eu me tenho.
Acolha não, unicamente, a doação da Graça, não, unicamente, o contentamento, não, unicamente, a Paz, a Alegria e o Amor, não, unicamente, a Luz, mas torne-se tudo isso ao mesmo tempo.
Nada mais há que não você e, para cada um de nós, nada mais há do que nós.

… Silêncio…

Nesse espaço você se nutre, nesse espaço nenhuma falta pode, mesmo, ser suposta, nem mesmo pensada.

… Silêncio…

O Coro dos Anjos canta em seu coração e em seus ouvidos, o Espírito do Sol vivifica você, a Fonte é o que você é.
Não mais por momentos, não mais por instantes, mas de maneira definitiva.

E, então, nesses instantes, você, que está aí, você, que lê, você, que ouve, desvenda-se a última Verdade, aquela que não pode ser negada nem, mesmo, questionada, nem, mesmo, interrogada.
Aí está a Evidência, não há outra, em definitivo.
Que seu caminho até hoje tenha sido longo, árduo, ou curto e rápido, isso não fará mais qualquer diferença.
Qualquer que seja o estado de seu corpo, qualquer que seja o estado de seus pensamentos, qualquer que seja o peso das resistências ou dos apegos que possam, ainda, afetá-lo no efêmero, você tem, nesse espaço, tudo o que é necessário para desabrochar o que você é.
Aí, onde não há mais nem interior nem exterior, nem dentro nem fora, nem esquerda nem direita, nem alto nem baixo, nem passado nem futuro, nem forma, aí você se tem.

A ação de Graça e o estado de Graça são-lhe abertos e propostos pela doação da Graça da Luz, pela Verdade do Amor que você é, que não depende de pessoa alguma, porque esse Amor que você é basta a ele mesmo.
Não há necessidade de apegos nem, mesmo, de chamas gêmeas, nem, mesmo, de relações e, ainda menos, de interações, afetivas ou sociais.

Ainda uma vez, hoje, eu o convido, como eu o convido a cada «respirar», a vir colocar-se aí, onde está sua essência.
Então, é claro, talvez, ainda, você tenha necessidade de muletas, de exercícios, de práticas, de certezas, antes de ousar tudo soltar.

… Silêncio…

Ouse, ouse ser você mesmo, desprovido de qualquer ornamento e de qualquer farol.
Ouse a simplicidade última, aquela de nada ser, nem pessoa, nem história, nem passado, nem futuro, nem, mesmo, uma consciência que habita um corpo, nem, mesmo, uma supraconsciência.
Além da vibração e além, portanto, da consciência, mantém-se o que você é.

Minhas palavras, ainda uma vez, são apenas o apoio desse Silêncio tão perfeito, tão correto, tão extraordinário.

Eu venho, também, hoje, reforçar nossa comunhão da Liberdade na Eternidade.
Eu nada venho ensinar-lhe que você já não saiba, mesmo se isso lhe seja, ainda, escondido, pelos medos e pelas dúvidas.
Venha colocar-se aí, onde nada há a compreender, nada a explicar nem nada a superar.
Repouse, peregrino da Eternidade.
Você que, além de toda história, torna-se o Caminho, a Verdade e a Vida, para que, como Aquele que veio, você possa dizer, por sua vez: «Eu e meu Pai somos Um».
Aí está o único milagre, aí está o único objetivo, e esse objetivo está, já, cumprido.
Não há mais caminho, não há mais rota a traçar, exceto para aquele que duvida, ainda, e que vaga, ainda, nos meandros da história dessa Terra ou da história da própria consciência.
Há apenas que reconhecer-se, como perfeição, como Verdade e como beleza, aí, onde você não depende nem de uma história nem de uma forma, nem de qualquer expressão de sua consciência, em qualquer dimensão que seja.

… Silêncio…

Coloque-se aí, onde não há, mesmo, mais percepções, vibrações ou energia, aí, onde não há mais emoções, nem pensamentos, nem a menor causalidade.
Aí, onde há apenas o que foi nomeado Shantinilaya, a Morada de Paz Suprema, na qual mesmo as palavras, as mais corretas que sejam, são apenas uma deturpação da Verdade, na qual mesmo a palavra a mais presumida e a mais amorosa é, ainda, demais.
Venha nessa vacuidade, repouse e permaneça assim.
Aporte-se, a si mesmo, a prova irrefutável do Amor que você é.
Um Amor que não é mais colorido por qualquer apego ou qualquer paixão que seja, nem, mesmo, por uma história a manter, aí, onde não há mais apoio nem emanação, nem projeção, onde apenas resta a evidência da Paz, a evidência do Amor que não depende, de modo algum, de sua história, de sua vida, de seu corpo ou de suas relações.

Então, é claro, você sabe, existem, nessa Terra na qual você ainda coloca seus pés, lugares privilegiados na natureza, em alguns encontros, que lhe permitem fortificar sua morada de Eternidade.
Nessa morada não há nem porta nem janelas, nem, mesmo, paredes, nem, mesmo, teto, há apenas a plenitude, aquela perfeita da vacuidade.
Aí, nesse lugar, em seu Coração do Coração, ao Centro do Centro, há o Tudo, ao mesmo tempo em que o nada, aos seus olhos carnais e à sua consciência limitada.

A sobreposição do que foi nomeado o efêmero e do Eterno aproxima-o, a cada dia, um pouco mais da Eternidade revelada e vivida.
Qualquer que seja o estado de seu corpo, qualquer que seja o estado de seus apegos, de seus medos, de suas dúvidas, só o Amor prevalece, e prevalecerá, cada vez mais, progressivamente e à medida que Maria aproxima-se, de diferentes modos.
Quer ela se aproxime em seu interior, diretamente, ou que ela se aproxime na Confederação Intergaláctica dos Mundos Livres, não faz qualquer diferença, porque se trata da mesma coisa.
Todos, entre os Anciões, Estrelas, Arcanjos e outros intervenientes disseram, permanentemente, que tudo estava em você.
Mas, além desse «Tudo» que está em você, não se esqueça de que isso se apoia na absoluta felicidade do Parabrahman, do Absoluto, na qual a Liberdade não pode ser nem restringida nem discutida.

Confie-se, confie-se ao que você é, sem limites e sem preconceitos.
Verifique-o por si mesmo, a cada dia.
As graças estão aí, em superabundância.
Quaisquer que sejam as circunstâncias e seu destino no efêmero, nada disso pode entravar a Verdade.
E, isso, você vive, mesmo se não tenha sabido, ainda, colocar as palavras no que você vive.
Através de todo sofrimento, como através de toda alegria, há apenas isso que resta, há apenas isso que é verdadeiro.

Permita-me, também, além de minhas palavras – que são apenas o ritmo desse Silêncio –, abençoá-lo a cada vez, a cada vinda, com mais intensidade, mais fulgurância e, sobretudo, mais evidência.

Então, quer você me nomeie o Ancião dos dias, quer você me nomeie Maria, quer você me nomeie de tal nome ou de tal nome, isso representou, em definitivo, apenas o meio de prendê-lo ao fio de uma história.
Hoje, você seguiu esse fio até a origem ou até o fim, nesse espaço que não é um espaço, mas no qual, no entanto, a origem e o fim juntam-se e não fazem mais diferença.

… Silêncio…

Instale-se.
Instale-se na paz, com alegria, nesses momentos de Eternidade.
Instale-se aí, onde nada pode ser sofrimento e onde nada pode estar ausente.

Assim, no Fogo de sua Presença, no Fogo do Coração, o Fogo do Espírito vem apaziguar as queimaduras, por vezes intensas, que tocam sua história e sua pessoa, que são apenas lembretes à sua eternidade e à sua beleza.

Nesse lugar, no qual o tempo não existe mais e no qual mesmo o espaço não pode mais ser definido, nada mais há do que isso – e isso é tudo.

Cada um de você, nessa vida, vive, à sua maneira, a convocação da Luz ao Julgamento final que é o início, eu o lembro, da verdadeira vida, na qual nada mais poderá vir limitá-lo ou obrigá-lo.

Coloque-se nessa humildade, nessa simplicidade, na qual mesmo os quatro Pilares não têm mais necessidade de ser evocados, nem mesmo pensados.
Você entra no tempo da Terra no qual não há mais necessidade de muletas, no qual não há mais necessidade de ajuda, no qual não há mais necessidade de referências; só a Evidência está aí.
E, na Evidência, não há nem palavras a sentir nem palavras a dizer, há apenas que acolher e desaparecer.

A Inteligência da Luz e a Graça não lhe dão mais, unicamente, a ver o que há a ver ao nível dos planos sutis ou no plano de seu histórico de vida, mas, bem mais, a verdade nua do Amor, do que você é e de quem você é.

… Silêncio…

Em cada um de meus silêncios há a resolução do que pode parecer-lhe, ainda, haver a resolver, a esclarecer, a superar ou a transcender.
É, também, nesse lugar que não há mais necessidade de provas ou de apoios, que não há mais necessidade de discursar, que não há mais necessidade de classificar, mas apenas aquiescer, para que você, também, diga-se: «Pai, meu Espírito está em suas mãos.».
Aí está a última renúncia à ilusão dessa vida, ao efêmero dessa vida, que faz explodir, em você, a verdade e a primazia do Amor, não mais, unicamente, como uma adesão, não mais, unicamente, como uma experiência que lhe foi dada a viver ou viver, ainda, mas, simplesmente, a Evidência, na qual nada mais pode aparecer, porque essa Evidência basta-se a ela mesma e basta a você.

… Silêncio…

Aí, onde não pode existir combate, nem bem, nem mal, nem dualidade, aí, onde não pode existir o menor prosseguimento de um ideal qualquer, nem a satisfação de um desejo ou de uma necessidade vital.
Resta apenas a Evidência, e nessa Evidência você se nutre, nessa Evidência você permanece em paz e descobre a totalidade de sua Presença e de sua Ausência.

Então, você deixará, em você, livre curso para toda manifestação, quer seja aquela de um anjo, aquela de um Arcanjo, aquela de Maria ou aquela de um habitante da natureza.
Aí não haverá, mesmo, mais necessidade de perceber a inicialização de um contato ou de um reencontro, mas apenas, como eu o disse, colocar-se, repousar e acolher, porque sua natureza é acolhimento e doação, não pode ser de outro modo, aqui mesmo, nesse mundo, como em sua Eternidade.
Não é mais questão de sobreposição do Eterno e do efêmero, mas da absorção do efêmero pelo Eterno.

… Silêncio…

A Evidência chama-o a conduzir sua vida, nesse corpo efêmero, sem esforço e sem hesitação.
Nesse sentido, só o instante presente, em seu efêmero, torna-se importante, e invalida, de algum modo, o que construiu sua história, sua memória e suas experiências de consciência.
Deixe tudo isso desaparecer, deixe tudo isso se esquecer, sem medo e sem questionamentos.
Não veja mais isso, deixe todo lugar para o que você é.
Quaisquer que sejam as circunstâncias de sua vida ou de seu mundo, tanto ao seu redor como no conjunto desse planeta, o que quer que você viva e o que quer que você veja, o que quer que você pense, isso nada mais representa.
Você já o vive, por vezes com agitação, por vezes com resistência, por vezes com medo, mas tudo isso, como você sabe, faz apenas passar e não pode subsistir diante da intensidade de sua Chama eterna.

… Silêncio…

Você é esperado, no coração de si mesmo…

… porque aqui, você e eu, de nada temos necessidade, nem de forma nem de história, mas temos apenas que recolher a Evidência do que é, pra dizer «sim», para não mais negociar, para não mais ter medo, para não mais ficar na raiva, para não mais resistir, mas aceitar a Evidência.
Nesse espaço você não poderá mais não ser transparente, você não poderá mais sair da humildade e da simplicidade.
Você se apercebe, nesse nível – que não é mais um nível –, de que todo conhecimento é apenas vaidade e ignorância, que tudo o que tem sido, ainda, mantido, até o presente, tem-se e retém-se prisioneiro do efêmero.
Você sabe, muito em breve, não haverá mais lugar sobre a Terra, nem em você, para reencontrar esse efêmero e ali mantê-lo.
Então, eu o convido a preceder o Apelo de Maria e a deixar a Obra de Verdade desvendar-se em você e viver-se.

… Silêncio…

Quaisquer que sejam as oportunidades que você tenha para encontrar os povos da natureza, para encontrar as outras dimensões, tudo isso, que podia, ainda, parecer-lhe maravilhoso e mágico, e tão facilitador para seu ser eterno, tudo isso se apaga, também, para que você fique nu, para que não haja mais barreira nem distância com a Verdade, com a Evidência.

Eu nada venho prometer-lhe, nem em termos de tempo nem em termos de espaço, eu atraio, simplesmente, sua atenção ao que há a viver; qualquer que seja sua história, qualquer que seja seu estado, quaisquer que sejam seus sonhos, isso é bem real, e é, aliás, a única realidade imutável e que não desaparece, jamais.
Quer você tenha escolhido a Liberdade associada a uma forma, quer tenha escolhido os mundos carbonados livres, quer tenha escolhido a Eternidade total, isso não faz diferença alguma, porque o ponto de passagem é exatamente o mesmo; qualquer que seja seu destino, qualquer que seja sua destinação, qualquer que seja seu estado, não há qualquer diferença e qualquer distância.

… Silêncio…

É nesse espaço de Silêncio que você vive, aqui e agora, como em outros lugares e por toda a parte, que se desvenda esse Inefável, não mais para monopolizá-lo, não para falar dele nem, mesmo, para justificar-se, nem, mesmo, para ter a menor prova dessa verdade.
Isso, você apenas pode vivê-lo tornando-se ele, apenas sendo-o.

… Silêncio…

Então, isso havia sido dito: «Ame e faça o que lhe agrada».
Não o que agrada à sua pessoa, mas o que agrada à Eternidade, ou seja, tornar-se não mais, unicamente, um semeador de Luz, um ancorador de Luz ou um liberador, mas ser, simplesmente, você mesmo, que acolhe, com a mesma equanimidade, tanto as alegrias como as dores, os sofrimentos como os medos, e o Amor, do mesmo modo, sem diferença, sem distinção.

Nesse espaço nada há a provar, nem a você nem ao outro, nem à sua família nem ao seu amado.
Nada há a defender nem nada a disfarçar, e lembre-se de que as próprias palavras que você colocaria acima, em definitivo, seriam apenas um desvio ou uma farsa em relação à Verdade.

… Silêncio…

O Coro dos Anjos e o Espírito do Sol cantam em você, agora, sua sinfonia, de maneira permanente, sem desvios, sem sombra e sem álibi.

Assim, onde quer que você esteja, nós estamos aí, cada um de você e cada um de nós.

O que sai daí, desse estado – que não é um nível nem um estado – é, simplesmente, a vacuidade e a Evidência.
Essa Evidência não tem necessidade nem razões nem justificações.
Ela de nada tem necessidade, nem mesmo de você, nem mesmo de nós, nem mesmo de um cenário final concernente aos mundos ditos carbonados.

Cada um de você é capaz de observar, a partir da consciência efêmera, esses momentos de desaparecimento e esses momentos de Evidência, que em nada se baseiam, nem mesmo na vibração, nem mesmo na energia, mesmo se existam testemunhos e marcadores ao nível de seu corpo, que foram nomeados Portas ou Estrelas ou centros de energia; isso é acessório agora, porque mesmo isso não tem mais outra utilidade que não ser, de algum modo, os marcadores de sua verdade, mas eles não são, eles mesmos, a Verdade.

… Silêncio…

Aí está a Vida, que não depende mais de uma onda, que não depende mais de uma vibração, que não depende mais de uma consciência nem de qualquer movimento da consciência.

O que se vive é, portanto, a transcendência perfeita do que é limitado, ainda, nesse Ilimitado já tão presente e tão pregnante.

Aí está a escola da Vida, não uma escola que lhe ensinaria o que quer que seja, nem mesmo responderia a uma interrogação qualquer, mas vem impor-se na evidência dela mesma, aí, onde não há mais palavras nem forma, nem estado nem futuro.

Então, você se tem aí onde eu estou.

… Silêncio…

Escute e ouça, bem além de minhas palavras, bem além de sua pessoa, o que eu ressoo em você, o que se propaga em você.

Nesse lugar, você percebe as vaidades sucessivas de suas investigações, de vida em vida, você percebe a perfeição do Espírito, já perfeito, e que nada tem, portanto, a melhorar, a provar.
Só o jogo de sua alma, se ela ainda está presente, pode parecer fazê-lo oscilar e passar de um estado a outro, até que você viva que não há outro estado, que não há estado específico, que não há forma.
Você escapa, assim, do condicionamento da forma, mesmo em mundos livres, você escapa, assim, da avidez da experiência da consciência, e você permanece aí, tranquilo e imóvel, no sopro de verdade, no êxtase.

… Silêncio…

Aproveite do Silêncio, aproveite de sua presença e da minha e de cada um de nós.
Aproveite do instante que você se oferece para escutar-me, ouvir-me ou ler-me.
Não se segure nas palavras nem em qualquer identidade, a minha como a sua, que fazem apenas passar.
Permaneça além de tudo o que pode falecer, permaneça presente e ausente, tanto a si mesmo como ao mundo.

… Silêncio…

Nesses silêncios cada vez mais vastos, cada vez maiores, os últimos limites caem, as últimas resistências esvanecem-se.
As Trombetas do Espírito, que soam em seu Templo interior, derrubam os últimos muros, as últimas pedras que lhe pareciam fazer obstáculo à sua liberdade.

… Silêncio…

Mesmo em você, se há o Fogo do Coração, ele se torna um bálsamo que apazigua, que faz apenas queimar os fantasmas efêmeros da evolução ou da melhoria porque, aqui, tudo sempre foi perfeito e permanece assim, para sempre.
Estabelecido aqui, você de nada mais tem necessidade, você nada tem a mostrar nem a demonstrar, você nada tem a justificar, você nada tem a criticar porque, nesse espaço, que não é mais um lugar, você não pode ver qualquer diferença e você se apercebe de que tudo é perfeito, mesmo em toda imperfeição.
Tudo isso faz apenas passar e deposita-o ao que você é e no que você é.

… Silêncio…

Escute e ouça o canto do Silêncio e a evidência desse Silêncio.

… Silêncio…

Dessa maneira, é-lhe dado a viver essa Eternidade e essa Verdade, a única, que não pode, jamais, ser afetada por qualquer experiência ou qualquer forma que seja.

… Silêncio…

Suas palavras e minhas palavras, seus pensamentos que podem advir, fazem apenas mostrar-se e desaparecer, por sua vez.

… Silêncio…

Coloque-se, ainda mais profundamente, nessa Evidência.
Nada procure, nem energia, nem vibração, nem pensamento, nem visão, mesmo aquela do coração.

… Silêncio…

Deixe, simplesmente, ser o que é.

… Silêncio…

Assim, você não se nutre nem de suas palavras nem de minhas palavras, você se nutre, exclusivamente, de si mesmo, aí, onde tudo é doação, aí, onde tudo é gratidão.

Aí onde você está, aí onde eu estou nada falta, nada pode faltar e nada faltará, jamais.
É nesse espaço que você se afirma em presença nesse mundo, em presença em sua vida.

Nesse espaço não há mais qualquer pedido a formular e nada a conquistar.
A própria noção de evolução torna-se caduca e risível.

Nesse espaço, nada há a reter, há apenas que sentar-se, na presença da Evidência.
Não há Luz a procurar nem reencontro a viver.
Você compreendeu, é o momento de pôr-se a nu, em face de si mesmo e olhar-se, sem culpa, sem julgamento e sem opinião, simplesmente, olhar, com lucidez, todo esse efêmero, quer ele concirna ao seu corpo, aos seus pensamentos ou ao que você poderia nomear, ainda, seu carma, que não lhe pertence mais, mas que pertence à pessoa limitada.

… Silêncio…

Nesse espaço, a oração é espontânea.
Ela não é um esforço e, ainda menos, um pedido, ela é apenas agradecimento para a Verdade e agradecimento para a Evidência.

… Silêncio…

E aí, quando nada mais resta daquilo a que você pode identificar-se, no que você pode projetar-se, você é a Vida e você é a Verdade, e você é o Caminho, não aquele que você percorre, mas aquele que você ouve, no Silêncio de seu ser.

… Silêncio…

O que você percebe agora, ou a ausência, mesmo, de percepção, é apenas o testemunho da Evidência.

… Silêncio…

No momento em que você não está aí, nesse Centro do Centro, nesse Coração do Coração, nesse espaço sem espaço, não se esqueça de que você pode ali recorrer, sem esforço e sem dificuldade, e sem ritual ou sem técnica.
Nisso, você é a Luz, aquela do Sol que ilumina esse mundo, como o Espírito que ilumina sua alma ou sua pessoa.
Lembre-se de que para nada serve querer ter ou manter essa Evidência, ela está aí, à profusão, assim que você aceita nada segurar, nada desejar, a partir do momento em que você aceita nada ser.

… Silêncio…

Todas as frases que eu pronuncio, que eu comunico, todos os silêncios são apenas, em definitivo, o único e mesmo testemunho do que você é.

Nesse lugar não há dificuldade.

… Silêncio…

Nesse lugar há apenas o Amor.
E esse Amor é o Amor, é Tudo.

… Silêncio…

Escute e ouça o que lhe diz o Silêncio, o que lhe diz a Graça, que toca, assim, de maneira cada vez mais intensa, a Evidência do que você é, além de sua forma, além da alma e além da consciência.
Tudo se resolve.
Então, viva sua evidência, sem medida e sem desmedida, apenas isso, porque, nessa evidência, nada há a quantificar e nada a rejeitar.

… Silêncio…

Nesse lugar, mesmo seu sopro parece imóvel, mesmo seu sopro é suspenso.

Lembre-se de que qualquer elemento que reste em seu efêmero – em seu corpo efêmero ou em sua vida efêmera – tem necessidade apenas disso: da Evidência, do Amor e da Graça.

Você tem colocado o Amor à frente?
À frente, mesmo, de sua pessoa?
À frente, mesmo, de sua história?
À frente, mesmo, de seus apegos?
Então, se a resposta é sim, você está livre, inteiramente livre.

… Silêncio…

Perceba a evidência desse Silêncio e o silêncio da Evidência.
Você ali está.

… Silêncio…

Mesmo seu nome não é mais do que uma distante lembrança, um sonho.
Nessa Evidência, todo o resto, tanto nesse mundo como alhures, é apenas um sonho que faz apenas passar, ao qual você se segura, por momentos – e, como você constata, cada vez menos – porque a Graça da Luz e sua Inteligência ali o empurram; o que quer que você encontre ali para dizer ou a redizer, isso nada muda.
Você é o que você é, filho do Um, Fonte, você mesmo.

… Silêncio…

Nesse Silêncio não há densidade nem leveza.
Não há imagem, nada há a ver.

… Silêncio…

E aí, ao manter esse Silêncio além de minhas palavras, nada mais resta que não o que você é.
Então, o que você se oferece a si mesmo a viver, agora, ao ler-me, ao escutar-me, é-lhe dado a viver sozinho, é-lhe dado a viver isso na natureza, com seus habitantes, é-lhe dado a viver em face de cada irmão e irmã que apareça em uma forma aos seus olhos nesse mundo, do mesmo modo.

… Silêncio…

Tudo é, em definitivo, visto do exterior, apenas sua faculdade de confiar no que você é e não mais confiança em você ou em qualquer história que seja, nem desse mundo nem de outro mundo.
Nessa Evidência, não há necessidade de qualquer mundo nem de qualquer dimensão, de nada há necessidade.
Não há, tampouco, que fornecer esforço.

… Silêncio…

Você que se tem aí, no coração de cada um, você está em seu exato lugar.
É, aliás, o único lugar que não conhece qualquer limite, de pessoa ou de forma.
Assim, de meu coração, eu dirijo ao seu coração a mesma Verdade e o mesmo Silêncio.

… Silêncio…

Nesse espaço, todos os espaços estão presentes; nesse tempo, todos os tempos estão presentes.
Nesse tempo e nesse espaço, tudo é resolutório, tudo é bênção.
Então, de meu coração, eu abençoo seu coração.

… Silêncio…

Nessa Evidência, você se dá conta de que nada há a defender e nada a reivindicar, que há apenas a suavidade, a suavidade, mas, também, a força e a potência da Verdade.

… Silêncio…

Nesse espaço, você se dá conta de que nada há a preservar, de que nada há a querer.
Você não está mais, unicamente, nos Ateliês da Criação, mas na própria fonte da Criação.
Você é o Alfa e o Ômega, sem poder definir o que é da ordem do Alfa e o que é da ordem do Ômega, porque o Alfa e o Ômega são a mesma coisa.
Não há que se deslocar, nada há que deslocar-se.

… Silêncio…

E o Silêncio prolonga-se.
Quaisquer que sejam minhas palavras, não há nem lassidão nem interrogação.

… Silêncio…

Nesse Silêncio, você de nada depende, você por nada é limitado.
Nenhuma crença pode manter sua escravidão, nenhuma história pode ser interpretada.
É assim que você se reconhece a cada sopro, cada vez mais claramente, cada vez mais facilmente.

… Silêncio…

Assim, você experimenta a vacuidade.
Quer você tenha desaparecido ou esteja presente, nada muda, você se nutre, você se regenera, você se vivifica.

Nesse Silêncio, eu volto a abençoar sua Presença e sua Ausência.

Ação de Graça perpétua, contentamento infinito e sem fim.

… Silêncio…

Você, Filho Ardente do Sol, batizado no Espírito de Verdade, você, aquele que ressuscitou, acompanhe-me nesse contentamento e em sua Evidência.
Não fique para trás, não tenha qualquer resistência.

Você é a Alegria.

… Silêncio…

Deixe o perfume de sua essência explodir aos olhos do mundo porque, nessa Evidência, nenhum olhar e nenhuma palavra pode alterá-lo.
Permaneça em sua verdadeira morada e, aí, por sua vez, ame.
Ame e abençoe todos aqueles que você conhece e, também, todos aqueles que você não conhece.
Quer eles sejam amigos, quer eles sejam inimigos, de qualquer idade que eles sejam, de qualquer natureza que seja sua relação ou sua ausência de relação, não faça diferença.
Aliás, você não pode fazê-la, se você se tem, realmente, aí, porque você nada tem a decidir.
As bênçãos emanam de você sem que você o deseje ou sem que você pense nisso.
Do mesmo modo que o Sol nutre cada um da mesma maneira, do mesmo modo, conceda sua Luz a tudo o que você encontra; quer sejam situações, quer seja um amigo, quer seja um inimigo, tudo isso não existe.
Você não depende de qualquer condição nem de qualquer limite para ser o que você é.

… Silêncio…

E aí, agora, enquanto minhas palavras espaçam-se e apagam-se, elas permanecem vivas em você, porque são palavras de vida, palavras de abundância, elas são o Juramento e a Promessa, elas são o Coro dos Anjos como as Trombetas que ecoam em seu céu e em você.

… Silêncio…

No Silêncio que está aí, nós depositamos, juntos, tudo o que pode parecer-lhe e parecer-me ser, ainda, distância, porque toda distância é ilusória.

Permaneça na Liberdade do ser, permaneça na Liberdade daquele que nada é.

… Silêncio…

Você, que é o amigo e o amado de toda vida, você, que é toda vida, em qualquer forma e em qualquer dimensão que seja.

… Silêncio…

Nesse Silêncio, a Evidência está aí.

Nesse Silêncio, o Amor está por toda a parte.

… Silêncio…

Nesse Silêncio, vive-se, intensamente, a Nova Eucaristia.

… Silêncio…

Em cada coração, onde quer que esteja sobre a Terra, quer ele esteja em seu peito ou no peito do velho que se apaga ou da criança que respira pela primeira vez, não há diferença.
É isso o que lhe prova o Silêncio, é isso o que lhe prova a oração do coração, que não tem objeto, nem sujeito, nem intenção, nem desejo.

… Silêncio…

É claro, em outro momento, haverá palavras, haverá questões.
Mas essas palavras e essas questões apoiar-se-ão, antes de tudo, na intensidade do Silêncio, para dali perceber a resposta que não se apoia nas palavras, mas que se apoia apenas na Evidência.

… Silêncio…

Eu o abençoo, ainda e sempre, porque o que posso eu fazer mais do que abençoar sua Presença, como abençoar sua Ausência?
Nada há de mais primordial porque, nessa oração e nessa bênção não há o menor espaço para o caminho da dúvida ou do sofrimento.
Meu amigo, meu amado, o que dizer-lhe de mais ou de menos?
O que retirar de minhas palavras ou o que acrescentar às minhas palavras?
Minhas palavras são, em definitivo, apenas o que ritma sua Presença e sua Ausência.
Elas não têm vocação para nutri-lo ou para questioná-lo, mas, simplesmente, pô-lo em ressonância com sua Evidência.

… Silêncio…

E aí, o que você pensa ter, ainda, a resolver?
O que você pensa ter, ainda, a elucidar?
A compreender ou a viver?
Você é, você mesmo, a resposta; o que quer que diga sua pessoa, o que quer que lhe diga seu sofrimento ou sua alegria, ele fará, de qualquer modo, apenas passar.
Não se esqueça de que você nada pode tornar perfeito, porque tudo já é perfeito no que você é.

… Silêncio…

Então, eu deposito, em você, todas as graças necessárias, todas as alegrias e todas as evidências.
Então, eu deposito, em você, o que você é, o que você sempre foi e o que você será, sempre, que não depende de uma pessoa, nem da sua, nem de uma circunstância, nem de um tempo, nem de um espaço, nem de uma cronologia, nem do dia, nem da noite.

… Silêncio…

Eu o deixo, agora, na presença da Evidência, na presença de si mesmo, antes de voltar porque, em definitivo, eu jamais parto, assim como você não parte, jamais.
Você faz apenas abrir os olhos à realidade de sua consciência nesse mundo, como em todo mundo, mas essa Evidência não poderá mais, jamais, desaparecer, nem, mesmo, dar-lhe a impressão de afastar-se.

… Silêncio…

Dê-me sua bênção.

… Silêncio…

Partilhemos a Evidência, partilhemos o Silêncio, partilhemos a doação da Vida e a doação da Graça.

… Silêncio…

Permaneça na Evidência.
Você, Filho Ardente do Sol, filho da lei de Um, Fonte, você mesmo, em todo universo e em todo multiverso, em qualquer dimensão que seja, porque tudo isso é apenas especificidade.
Você é bem mais do que o conjunto dessas especificidades, e você é bem menos do que o que você acredita ser na pessoa, quando ela se exprime ou manifesta-se.
Você é pó, e você é Luz, tudo depende apenas de você.
Eu o amo.

Permita-me depositar sobre os seus ombros o Manto da compaixão e da humildade.
Volte a você, em seu mundo exterior, mas permaneça na Evidência de seu coração.

Eu me calo alguns instantes agora, e comunguemos juntos.


… Silêncio…
Postado por Célia G. às 11:34
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