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Atenção ao que te incomoda, tens ali um Mestre

Atenção ao que te incomoda, tens ali um Mestre
por Ishi

Perceber que tudo o que vivemos é a nosso favor

Estamos perante um antigo ditado chinês:

“Atenta ao que te incomoda, tens ali um mestre.”

Passamos uma vida inteira a julgar. Isto é bom, aquilo é mau. Quero isto, não quero aquilo. Em simultâneo, corremos atrás do que nos convencemos ser bom, esquecendo o todo maior, a existência inteira, perseguindo uma fantasia. Mas tudo é importante, por fazer parte da existência em que nos inserimos.

Este antigo ditado, é muito difícil de interiorizar. Que mestre tenho no barulho dos vizinhos? Que mestre tenho na indiferença dos outros? Que mestre tenho, num governo que me cobra tantos impostos e retira os apoios à saúde e à educação? Que mestre tenho na forma como se conduz no nosso país?

Para percebermos isto, temos de começar por perceber o que é um mestre. Mestre, é aquele que nos ajuda a sermos nós próprios, ou seja, nos ajuda a encontrarmos o nosso próprio caminho ou via. O mestre não tem importância em si. O que é ou não, é indiferente.

Este mestre, não tem de ser forçosamente uma pessoa; uma pessoa incomodativa. Este mestre está no facto em si. É no facto em si que existe algo a ser revelado. Se estivermos muito atentos a um facto em si, perceberemos o que nos incomoda, o que temos de evitar ou de implementar nas nossas vidas.

Perante novos factos incómodos, passamos a estar gratos pela lição em vez de incomodados. Passamos a aceitar os incómodos da vida para descobrir neles as suas importantes lições: mas agindo. Sem acção não há lição. Sem prática não se gera a verdadeira aprendizagem.

Se nos recordarmos das lições da vida, das que nos ficaram fortemente enraizadas, elas contiveram emoção, significado e acção. Melhor seria, se permitíssemos um silêncio a seguir à emoção tornando-nos conscientes dela, não ficando por uma simples e cómoda explicação.

Interiorizar esta magnífica e simples lição, leva-nos a viver com um sorriso interior os novos incómodos, lições gratuitas que a vida nos dá. Também acontece outra coisa prodigiosa: cada vez menos coisas nos incomodam.

O Universo, a existência, Deus, o que lhe quiserem chamar, é omnipresente. Encontra-se em nós e rodeia-nos. Somos seus filhos queridos e os seus sinais não revelam mais que a preocupação de um pai perante os que mais ama.

Mas somos muito cegos e surdos. Somos também muito convictos de que sabemos seja o que for. Somos muitas vezes o pior ignorante; e este é o que se convenceu de que sabe. Com este convencimento ignoramos os sinais da vida, a constante informação da existência. Que é silenciosa! Não é verbal nem mental.

Uma folha ou uma flor nascem e crescem silenciosas, com uma quietude cheia de dignidade, amor e beleza.

Perceber este ditado exige contemplação. Não é a olhar para o lado. É sentir atento e profundamente os seus sinais. Sem pensar nem julgar nada, permitindo que o óbvio se revele.

Aprendi-o há bastantes anos, já nem me lembro onde. Levei muito tempo a interiorizá-lo e vivê-lo. É fácil reagirmos brutalmente ao que nos incomoda. Mas se pararmos para pensar no que têm sido as escolhas da nossa vida para estarmos a viver aquela experiência, agradecermos à existência a sua vivência.

Agradecendo, por nos tornarmos conscientes das nossas dúvidas, fraquezas e questões. Tendo assim a possibilidade de as transformar em conhecimento, força e capacidade de resposta.

Agradecendo, pela lição dada. Pelo mestre ali contido.

Por Ishi

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Comentário de Edson Luiz Pocahi em 10 julho 2014 às 23:27

Certo Nanci! Problemas todos temos! O que difere é como a gente reage perante eles. Também tenho me cobrado isso... nunca é tarde para mudar, melhorar. É como diz o nosso amigo Clésio, temos que ir corrigindo os nossos defeitos!

Comentário de Maria Geni Toporowicz Dambroski em 10 julho 2014 às 14:31

Comentário de Nanci Rosa em 10 julho 2014 às 10:58

Este texto veio bem a calhar neste momento pra mim. Passei por uma situação a alguns dias atrás e tanto eu quanto às pessoas que MAIS ME CONHECEM ficaram admirados com o jeito com que eu reagi "a mesma situação", pois se fosse há uns sete, oito anos atrás teria sido bem diferente e PIOR, ou seja, as consequências seriam piores. Creio que tenho aprendido algumas lições e "estou longe ainda do quase ideal" se é que ele EXISTE. E foi através das experiências digamos RUINS E BOAS que tenho aprendido e ainda tenho MUITAS COISAS QUE "ME INCOMODAM" mas entendo que ELAS NÃO ESTÃO AÍ POR ACASO.

 

Comentário de sara venceslau em 9 julho 2014 às 22:45

hoje essa foi a lição q eu precisava.

Comentário de Edson Luiz Pocahi em 9 julho 2014 às 22:34

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